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A música jamaicana de todos os estilos + misturas com eletrônica + rasta excentricidades
Postado em 21/07/08 por Chico Dub
:::Escute a Jamaica Hi-FI # 2:::
- “illegal dub” – dub trio (2006)
- “me done” – ari-up (2005)
- “worries in the dance” – frankie paul (1983)
- “his imperial majesty” – rod taylor & capleton (2006)
- “inna di road” – chezedek (2006)
- “kung fu version” – upsetters (1974)
- “yabba yabba yabba” – alpha & omega (2004)
- “life is worth…” – root 70 (2006)
- “lets push things forward” – the streets (2002)
- “yemen cutta connection dub” – black star liner (2000)
Hardcore?! Que porra é essa??!! Hahahahaha. Olha, a culpa é toda do mestre Maurício Valladares, vascaíno sangue bom, que fica botando essas coisas pra tocar no programa dele. Ou melhor, no programa da gente, o Ronca-Ronca.
O som do Dub Trio (um dos parceiros do Mike Patton, ex-Faith No More, em seu mais recente projeto, o Peeping Tom) não é nada novo. Bad Brains e algumas bandas do pós-punk inglês já faziam isso. Mas que é divertido, é. Sem dúvida. “illegal Dub” é o nome da música. Aliás, muito bom esse nome. Dá até pra fazer um paralelo com o som que eles fazem.A próxima faixa é da Ari-Up, uma “original veteran”, como ela se auto-intitula na letra. Sabe porque? Ari comandava o The Slits, uma das bandas dos pós-punk a que eu tava me referindo acima. “Me Done” é uma das melhores faixas de “Dread More Dan Dead”, disco lançado ano passado pela alemã Collision.
A Medusa (apelido ganho em função dos seus dreads absurdamente mega gigantescos) já gravou vários sons com a On-U Sound (New Age Steppers), lendária gravadora do Adrian Sherwood - nome que você leu na coluna passada e que ainda vai ler muitas vezes por aqui.
“Worries in the dance”, do Frankie Paul, é uma das tracks mais importantes da primeira fase do dancehall jamaicano, 80-85. É um perfeito resumo da situação da ilha naqueles tempos. As gangues, que antes funcionavam estritamente como matadoras de aluguel mediante o interesse dos principais partidos políticos, passaram, depois das eleições de 1980 e da entrada da cocaína na jogada, a ficar muito mais violentas. O curioso é que a produção da música, de 83, é do Henry “Junjo” Lawes, um badbwoy de verdade, maior trafica! Só na Jamaica mesmo…
Junjo é o rei do dancehall rub-a-dub. Produziu música de Deus e o mundo (“Police in helicopter”, “Gunman”, “Bounty Hunter”, “Pass the tu sheng peng”, “Diseases” “Firehouse rock” “Wa do dem”, “Zungguzunguzungguzeng”) e podia ter sido maior que o King Jammy, não fosse sua prisão nos EUA e o balaço que o matou em Londres.
Essa mix é muito mais cabulosa do que uma que circula no mercado. Cheia de sirenes, tiros, latidos. Preciso disso em 7”. Rápido.As próximas duas músicas têm uma história parecida. Ambas vêm de sons clássicos que não renderam futuros riddims, o que é a coisa mais natural do mundo. Nem toda linha de baixo se eterniza, filosoficamente falando. Mas, eis que em 2006, “Jah Love” (“Warn the nation”), uma das melhores do Yabby You, ganha um montão de versões. A melhor delas é essa aí: “Inna di road”, do Chezedek. Que voz, maluco, que voz. Como diz uma amiga minha de São Paulo, AFF!!!
É o mesmo caso de “His Imperial Majesty”, do Rod Taylor, que ganhou vida nova com o H.I.M riddim, cortesia de um label suíço. Escolhi uma que sampleia o vocal original do Taylor e acrescenta a voz rascante do Capleton.
The Upsetters! Que eu saiba, Kung Fu Man é a única gravação do Linval Thompson com o Lee Perry. Mas o som que a gente vai ouvir é o dub, “Kung Fu Version”. Perry (assim como todo bom jamaicano) é fanático por cinema, basta ver algumas capas dos seus discos, imitações de posters de filmes de western spaghetti e pancadaria.
Li uma entrevista com o Russ D (Disciples) um tempo atrás, em que ele dizia que a cena inglesa tá numa fase mais ortodoxa, com muitos vocais vindo dos bastiões do roots jamaicano e dubs sem inspiração, praticamente versões instrumentais da original .Mas o mais importante, segundo ele, era a diminuição do número de steppers (batida militar pesadona, bem rápida) em função do aumento do número de one drops (extremo oposto do stepper, é a batida mais conhecida do reggae). O penúltimo disco do Alpha & Omega confirma essa história. É cheio de participações especiais (Isaacs, Perry, Professor) e tem som mais acessível, não tão dark como em outras gravações. Mas, quer saber? É um dos melhores da carreira dos caras. Vamos de “Yabba Yabba Yabba”, dub de “Who Am I To Judge”, do Bunny Lie Lie, outro veterano da Jamaica.
O alemão Burnt Friedman é um sujeito pra lá de talentoso. Participa de um sem número de projetos, todos eles interessantíssimos e nada convencionais. Destaco a obra-prima de 2003 Can´t Cool, junto dos Nu Dub Players, e sua parceria com o baterista da lendária banda alemã Can, Jaki Liebezeit. Esse som, “Life is worth”, foi tirado de um disco de (re) interpretações orgânicas de alguns temas de Friedman. São remixes às avessas, eu diria. Quem comanda tudo isso é o clarinetista Hayden Chisholm, eventual colaborador de Friedman e líder doconsagrado quarteto de jazz Root 70. Sonzinho pra ouvir na horizontal, numa nice. Que beleza.
You say that every thing sounds the same / Then you go buy them! / There’s no excuses my friend / Let’s push things forward.
Acho que fui o único cara que amou o show do Mike Skinner A.K.A The Streets num Tim Festival desses. Maior falação, gente de costas, vaias. Talvez seria diferente se o cara viesse hoje, vai saber. Se bem que neguinho também não deu muita bola pro Dizziee Rascal (que faz um som mais ou menos parecido) no ano passado. Outro showzão.Black Star Liner é o nome da compania naval fundada pelo pan-africanista Marcus Mosiah Garvey, peça fundamental na história do rastafarianismo. Garvey pretendia levar de navio os negros da diáspora de volta à África, sua terra natal. Isso lá pelos anos 20. Black Star Liner também batiza um projeto de música eletrônica com toques árabes. Meio Asian Dub Foundation na essência, só que sem a pegada d&b e os vocais ragga/hip-hop. E sem o sucesso, diga-se de passagem.
A última vez que ouvi falar no Black Star Liner foi por causa de um remix de 2003 que eles fizeram pra “Do you love my music dub”, dubversão do Prince Jammy prum som do Horace Andy. Tenho isso em 12” e toco direto nas festas.
O nome da música é “Yemen Cutta Connection Dub”.“Rewind”

