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O Reggae em Niterói sempre teve sua Glória, quem ficou de braços cruzados foi Araribóia
Postado em 19/07/08 por Makandal
Desde os anos 90 o reggae Tupiniquim teve características muito distintas.Niterói também é um Caribe. Com praias, serras , floresta e sistema Babilônico.Como em muitos lugares do mundo Capitalista, o reggae de Niterói começou despretensioso. Alguns irmãos se reuniam para consagrar a natureza, contemplar o pôr-do-sol nas praias, curtir um surf ,na Paz de JAH. As praias de Niterói são o quintal da moçada do reggae.Bob Marley sempre foi lembrado nestes momentos , e a palavra de ordem era o “Roots”. A partir de 1995 a banda Bagabalô marcou época, foi muito Mariozinho, que na época tinha Dreads, e seus irmãos de banda faziam um reggae acústico de boas vibrações. Chininha, que mais tarde tornou-se vocalista da banda Seda Fina, participou de muito das festas e Shows em locais onde havia música reggae.Outras bandas sugiram em Niterói e muitos músicos respeitados que vamos relatar nessa retrospectiva da memória do reggae Niteroiense ,relembrando também a trajetória do irmão Marcelo Banana, primeiro vocalista da banda Canamaré, fundada em 1997,que antes chama-se Canakayana. Em 1999, a banda lançou seu primeiro Cd, produzido por Zelly Mansur, tocou em várias rádios do país, venderam mais de 15 mil cópias, participaram do Niteró Reggae Cantareira .Em 2002, lançaram seu segundo Cd, produzido por William Magalhães, também marcaram presença no Sul do país e em seu terceiro trabalho “Amanhaceu no Brasil”,Canamaré foi e ainda é uma resistência do reggae de Niterói.
Uma das bandas mais Roots de Niterói é a Banda Unidade Punho Forte,que também por muito tempo liderou o cenário reggae de Niterói , formada por irmãos da periferia como José Rodrigues” o Jamaica” que já sobrevive do reggae há muito tempo,desde a era dos K7s de reggae raiz,que vendia e trocava nas ruas juntamente com seu trabalho de artesanato, vem trabalhando até hoje,com muita dignidade e respeito.A banda era formada pelo professor Ubaldino,tecladista,que foi um grande colaborador do reggae na época em Niterói .Paulo Júnior que sempre compôs e cantou muito reggae no violão e o guitarrista já falecido, Robledo Disuccinni.
Punho Forte hoje resiste numa boa,na paz de JAH,junto com o baixista Leonardo Belga “o Belga” e o irmão Percursionista que também faz seu trabalho de pesquisa Rítmica, Rodrigo Wermelinger , o batera Negro Dico, Josael, guitarrista com muita experiência no reggae, e Felipe,Tecladista,que também tem estrada na música reggae.
O irmão José Rodrigues e o guitarrista Jô, atualmente fazem seu trabalho com o Cultural Quebra-Trancas, de cultura reggae com vários irmãos do reggae do Rio de Janeiro e outros estados.
Não podemos deixar de falar de Spliff,do Camerões,África,que tocou com muitos irmãos como Jair Soares,Bira Rasta,Maranhão e os irmãos Caio e Daniel entre outros, todos personagens importantes no movimento reggae de Niterói. Não haviam muitos espaços para tocar reggae com freqüência,mas o reggae de Niterói,andou com suas próprias pernas e seu própio estilo. Antes de ter o espaço Cultural Cantareira,sempre havia uma banda e um lugar alternativo para tocar reggae.Bandas como Seda Fina,In Senso,Resgate de Raiz,Kaissaras,Nayah,Força da Gravidade,Nabby Cliford,que já estava a mais tempo, Paulinho Ganaê e banda Naja,que hoje com seu estúdio “Toca do Caboclo” é ligado as influências do Ragga,DanceHall,Nayabhing e música afro-eletrônico. Existia tambem a banda Guarda Nacional,que o Baterista do Punho Forte participou,o Negro Dico.
A Cantareira sustentou um bom tempo, o reggae em Niterói.Sempre acontecia em paralelo outros movimentos com irmãos e irmãs Niteroienses como ,Bruce,Roger e outros que ativavam a resistência da forma que podiam.
Músicos como Bira Rasta da Banda Alma Reggae,atualmente Onda-R,Rio Reggae banda com Jair Soares e seus músicos aliados,que resistem até hoje.Outras bandas,Rosa Amarela,Via Jah
Banda Aliança,com Fábio que vem fazendo seu trabalho Roots e cada vez mais buscando a parte espiritual do reggae e Nayabinghi.”Aurora do Tempos” é o resultado de um trabalho realizado pelos músicos : Fábio Simões,Luiz Dias,Rogério Fortunato,Guilherme Burgos,Gabriel Verani,Fábio Iê do Mato,Patrick Augusto e Maurício.
Temos também nosso irmão Pedro Rasta,Percucionista e Vítor, que sempre busca mostrar seu trabalho atual,com sua experiência na banda Divina Providência e a antiga Rasta Fé.
Houveram vários shows ao ar livre e festas em Niterói em que o reggae esteve presente,como na festa junina de Itaipú,campeonatos de Surf,e até eventos sociais como o Reggae Contra a Fome e Reggae contra o frio ,onde várias bandas do Rio e Niterói se apresentaram voluntariamente pela causa Social.
A Cantareira e a prefeitura,lançaram um Cd com várias bandas de reggae exclusivas de Niterói. O Espaço Cantareira,teve que fechar suas portas para se estruturar,e nunca mais reabriu, por causa do barulho , má administração e outros problemas,o reggae perdeu um Espaço Cultural fundamental para os regueiros, porque nesse local, se apresentaram várias bandas de reggae nacionais e internacionais como,The Wailers, ,Natiruts,Dred Lion,Medusa Dreads, Bob Marley Cover ,Cidade Negra,Márcia Leoa e quase todas as bandas de Niterói , Rio e outros estados,era muito bom.
Havia na época um programa de reggae com Nabby Cliford,que rolou por muito tempo na Fluminense FM .”Batmacumba” de Nelson Meirelles,também se escutava nas rádios de Niterói,além de Mauricio Valadares.Não podemos esquecer de Andred e outros Djs nas festas e intervalos de shows de reggae
A cidade sempre teve vários colaboradores, simpatizantes , até inspirar um site de reggae que vai de Niterói para o mundo, o www.reggaemovimento.com
Isso é uma prova de que o reggae de Niterói sempre vai ter sua Glória e Vitória,porque sempre tem uma opção pra se ouvir reggae, como por exemplo o bar do Carlinhos, o espaço Convés no Gragoatá, hoje conta também com o São Don Don, em São Domingos, que mesmo em seu espaço físico reduzido, consegue movimentar o reggae as terças feiras na cidade.
Em conexão com o município de São Gonçalo , festas de verão, nas praias, é onde o povo de Niterói se esbarra sempre com outros irmãos para curtir um reggae e também nas noites do Rio de Janeiro,São Gonçalo e Baixada,a comunidade Niteroiense é Fiel naquilo que gosta.
Ainda traçando a história de Niterói, torna-se vital citar um nome , Gustavo Black Alien, mais reverenciado por sua representatividade no Hip-Hop , é conhecedor da história e cultura reggae, atualmente além de levar adiante sua carreira solo, é cantor da big band REGGAE B, ao lado de feras de primeira grandeza do reggae nacional , como o baixista Bi Ribeiro, Paralamas do Sucesso, um dos maiores colecionadores de reggae do país.
Black Alien tem em seu trabalho , influência explícita da música reggae . Sua atuação nacional e internacional dignifica ainda mais o nome de Niterói, mesmo que essa , muitas vezes não reconheça a altura seus legítimos representantes mundo a fora. Seu primeiro disco solo, lançado em 2004 , aclamado nos mais altos patamares da imprensa especializada , traz no título sua forte referência, “Babylon By Gus”, faz alusão ao clássico disco de de Bob Marley lançado em 1978 “Babylon By Bus”. Para bom entendedor, pingo é letra.
De novos trabalhos que podemos citar provindos da cidade de Niterói, tem a Dacal , sempre na contramão, mas não parada, a niteroiense no começo de 2007 lançou seu primeiro cd Caos Roots Controle, um disco que pulsa na veia Dub Poetry e vêm conquistando seu espaço, é o roots + eletrônico, mostrando a Niterói do século XXI que a música reggae é dinâmica podendo se mostrar de várias formas. Dacal já apresentou seu trabalho no interior e capital de São Paulo, seu disco se encontra na net para baixar na íntegra,apresentou-se no Paraná,em junho e em novembro abraça o Rio Grande do Sul pela primeira vez. Recentemente representou o reggae no Festival de Artes Mola Cultural no Circo Voador-RJ.
E a todos irmãos Bhingi I Niteroiense,Respeito Máximo!!E a todos que buscam o reggae como terapia filosófica,que saibam compreender o que é o Movimento Reggae. Creio que muita gente que não citei aqui,está trabalhando também para o reggae Tupiniquim evoluir cada vez mais na Paz de JAH,com Amor, Força e resistência. O resto, nosso grande pai,o único fará irmãos se unirem e não deixará o reggae acabar.Pelo contrário,ele virá com mais força,pois o reggae em Niterói sempre teve sua Glória,quem ficou de braços cruzados,foi Araribóia.
JAH RASTAFARI I ALELUJAH
Até a Próxima,com muito amor ,na Paz de JAH.
*Colaboração para Coluna Conexão Rasta Brasil : Irmã Néa

