• Entrevista com Easy Star Allstar

    Postado em 31/10/07 por Dacal, Tradução: Cassandra Rodrigues

    O ReggaeMovimento traz com exclusividade esta entrevista com Eric Smith, integrante do coletivo da Easy Star All-Star, selo Nova Iorquino responsável pelo álbum "Dub Side Of the Moon" que está em turnê pelo Brasil.

    Na entrevista muitas informações a respeito deste álbum que está conquistando multidões por todo mundo com sua versão Reggae para o clássico disco do Pink Floyd "Dark Side of the Moon".Confira no fim da entrevista a agenda de shows completa!

    Easy Star Allstar

    Reggaemovimento: Como foi que vocês reagiram quando Lem Oppenheimer lhes apresentou a idéia de fazer uma releitura do Dark Side of the Moon?

    Eric: Nós todos achamos que era uma ótima idéia, mas não estávamos certos de que iria funcionar. Como vocês sabem, existem por aí muitas versões reggae para o rock, e muitas delas não são tão boas, são apenas coleções nada originais de grandes hits. Nós queríamos fazer uma interpretação séria do álbum, que pudesse ser apreciada tanto pelos fãs do Pink Floyd quanto pelos fãs de reggae. Foi por isso que decidimos fazer o álbum completo,do início ao fim.

    Reggaemovimento: Existe um movimento forte de Dub na Europa, e uma crescente difusão desse estilo pelo mundo todo. Este projeto pode contribuir de maneira significativa para a difusão desta tendência?

    Eric: Eu espero que sim.Obviamente,este não é um álbum verdadeiramente dub,no sentido clássico,entretanto usa muitos elementos dubs nas trilhas sonoras principais e também há faixas dub no final do álbum.Eu acho que muitos fãs do Dub Side of the Moon provavelmente nunca ouviram Dub antes do nosso álbum e tomara que este disco os inspire a gostar mais do gênero.Contudo eu diria que,de um modo geral,é provável que “Dub Side” contribua mais para o movimento reggae como um todo do que para o Dub especificamente.

    Reggaemovimento: Vocês acham que trabalhar em cima de um dos maiores clássicos do Rock contribui para uma maior aceitação do Easy Star All-Stars?

    Eric: Com certeza, isso abriu muitas portas para nós, como selo e como banda, assim como também para os artistas convidados. Há dez mil fãs por aí que não conheciam quem Joe ou Frankie Paul eram antes do álbum. Eu acho que isso é crucial para a força do reggae, nós precisamos mostrar esses talentos para um público maior, para que todos sintamos o espírito do reggae ; as marcas, os artistas e até vocês da mídia, podemos todos viver decentemente do que amamos. Ranking Joe não está apenas fazendo um "toasting" em cima de músicas Pop, como Super Cat ou Lady Saw possam ter feito no passado em suas releituras. Ele está tomando as rédeas do ritmo reggae. O fato de tantas pessoas que não são fãs de reggae estarem comprando esta música e indo aos shows é ótimo para o reggae.

    Reggaemovimento: Como o público tem recebido a turnê? Em que lugares vocês já estiveram? Contem-nos um pouco sobre o formato do show ao vivo.

    Eric: Os shows ao vivo têm sido muito bons, o público parece gostar tanto do show quanto do álbum. Nós sempre fazemos o álbum todo, sem interrupção, mas começamos com um "set" de músicas originais da banda. Nós terminamos o show com mais uma sequência de músicas originais se o público estiver bem animado. Nós já fizemos várias turnês nos EUA e no Reino Unido, também na França, Itália e Croácia. Nós estamos muito animados em finalmente chegar a América do Sul.

    Reggaemovimento: Em sua breve turnê brasileira, vocês irão passar por quatro estados. O que vocês esperam da apresentação no nosso país?

    Eric: Eu espero que seja legal. Nós sempre soubemos que o Brasil tem uma forte cultura musical. Dark Side of the Moon é muito popular aí também, e o reggae parece estar mais forte do que nunca, então nós esperamos que o show seja bem recebido.Até porque nós recebemos toneladas de e-mails pedindo uma turnê aí, então nós temos um “feeling” bom em relação a esta turnê.

    Reggaemovimento: A parceria com a DeckDisc será muito importante para difundir o Easy - Star no Brasil,e até mesmo o estilo Dub.Vocês visualizam uma cena dub forte na América Latina assim como é em outras partes do mundo?

    Eric: Eu espero que sim.O que é legal no reggae,e por associação,o Dub,é que não importa onde se vá neste planeta sempre se encontra algum tipo de cena reggae.É uma música verdadeiramente mundial. Então não há nenhuma razão para se pensar que o quê tem acontecido em outras partes do mundo não pode acontecer aí. Mês passado, quando nós estávamos em São Paulo mixando nosso próximo álbum, Radiodread, parecia haver uma vibrante cena Dub por lá. É de se esperar que, com turnês como esta e com a distribuição da DeckDisc trazendo música como a nossa para o seu país, esteja porvir uma cena Dub e reggae forte e duradoura.

    Reggaemovimento: O próximo álbum do Easy Star All-stars, será uma versão do "Ok Computer " da banda Radiohead. Seria um “revival” da fórmula bem-sucedida de Dark Side...? Vocês poderiam adiantar algumas informações sobre o álbum para o público?

    Eric: Sim, nós terminamos o álbum semana passada e todos do “Easy Star” estão muito animados. Vocês podem esperar muito do mesmo tratamento de “Dub Side”, mas como o “Ok Computer” é muito diferente do “Dark Side”, nossa versão é também muito diferente do atual álbum. Muitos artistas são os mesmos, mas há também outros novos tão maravilhosos quanto os antigos, como Horace Andy, Morgan Heritage, Sugar Minott, Citizen Cope, Israel Vibration e Toots and the Maytals.Eu considero este álbum mais sério que o “Dub Side”, mais obscuro, mas nós ainda colocamos um pouco de humor. Acho que será mais para os verdadeiros fãs de reggae, já que possui mais estilos diferentes da música jamaicana.

    Reggaemovimento: Contem-nos um pouco sobre sua experiência individual no Universo Reggae. Sabemos que a estrada é longa, mas fale a respeito das motivações iniciais que os levaram a esse ritmo.

    Eric: Eu me considero um fã desde que nasci. A família do meu pai é do Caribe, mas ele estava mais para a música caribenha do que para "predated reggae". Mesmo assim nós tínhamos muitos álbuns de reggae e estes eram meus favoritos. E minhas bandas de Rock ou Pop favoritas tinham na maioria das vezes alguma influencia Reggae, como The Clash ou The Police. Em meados dos anos 80 na cidade de Nova York, época em que eu era adolescente, havia uma forte cena de reggae e ska, e eu me tornei parte dela. Desta cena saíram muitos dos membros do Easy Star All Stars. Foi pelos novos artistas do Dancehall que eu mais me apaixonei, Lone Ranger, Eek A Mouse, Tenor Saw, etc. Depois eu comecei a prestar mais atenção nos artistas clássicos dos anos 60 e 70.

    Reggaemovimento: “Dark Side of the Moon” é um álbum que trata da questão da existência, das ambigüidades da sociedade,contradições,jogos de poder, tanto nas letras e na sonoridade conceitual quanto nos aspectos inovativos do álbum. Vocês acreditam que essa versão Reggae tem algo daquela motivação original ? O que vocês acham que os dois álbuns têm em comum?

    Eric: Os temas do “Dark Side” são universais, então eles também fazem sentido para o nosso álbum. No “Dub Side”, artistas como Frankie Paul e Sluggy Ranks levam as letras do Pink Floyd para um lado mais emocional, mas acho que os resultados finais são os mesmos. A razão pela qual “Dub Side” agrada a tantos fãs do “Dark Side” é que a viagem emocional dos ouvintes de qualquer um dos álbuns é a mesma.

    Reggaemovimento: Como os músicos do Pink Floyd reagiram quando vocês apresentaram o ousado projeto do Dub Side of the Moon? Eles conseguiram visualizar a compatibilidade dos dois álbuns? Colaboraram ou participaram diretamente da produção? O que eles acharam do "Dub Side" , gostaram?

    Eric: Nós mandamos antecipadamente algumas primeiras faixas para eles ouvirem e aprovarem.Eu não sei se eles sabiam como a música ficaria no final, mas isso foi suficiente para que eles permitissem que o projeto prosseguisse. Depois que o álbum estava pronto, eles nos deram sua benção (“blessing”), mas nós não falamos sobre nenhuma colaboração.Desde que o álbum foi lançado, David Gilmour tem dito algumas coisas muito legais sobre o “Dub Side” em algumas entrevistas e mencionado que ele tentou ir a um dos nossos shows em Londres, mas não pôde. Clare Torry, que canta “Great Gig in the Sky” no Dark Side, nos contatou depois do lançamento para dizer o quanto ela tinha amado nossa versão (com Kirsty Rock), ela inclusive disse que tinha achado a nossa versão melhor do que a dela! Nós a convidamos para um dos nossos shows em Londres, e temos mantido contato desde então.

    Reggaemovimento: Vocês teriam uma mensagem final para os navegantes do reggaemovimento.com?

    Eric: Continuem ligados no Reggaemovimento! E venham assistir o Easy Star All-Stars ao vivo!

    Até logo.

    Reggaemovimento: Nós agradecemos pela entrevista. Parabéns pelo excelente álbum!

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