• Entrevista com Jimmy Luv (Família 7 Velas)

    Postado em 31/10/07 por Fred Gomes

    No identidade reggae deste mês convidamos Jimmy Luv , integrante do coletivo paulista, Famíliia 7 Velas, que trabalha com propriedade todas as vertentes do reggae. Confira um pouco do trabalho e da trajetória de Jimmy, que com certeza somou muitas informações importantes no seu papo com o reggaemovimento.

    Sem mais delongas, e sempre com a intenção de propagar o melhor do processo evolutivo do Reggae em Movimento...Jimmy Luv !

    Jimmy Luv

    ReggaeMovimento: Há quanto tempo está na estrada lutando pra viver de música, e quando fez a opção pelo caminho do reggae/ragga?

    Jimmy: Já estou nessa oficialmente desde 96, quando fui convidado pelo B.Negão pra fazer parte da banda dele, The Funk Fuckers. Antes eu já produzia numa bateriazinha eletrônica Boss e cantava uns ragga e rap, mas só pra mim e alguns amigos. Sempre curti o rap e o reggae, mas quando decidi cantar me interessei mais em me desenvolver como um cantor de ragga, principalmente a partir de 99, quando saí da banda e comecei a produzir em computador.

    ReggaeMovimento: Desde que ouve reggae, ragga e dub, quais foram os artistas que tiveram mais força na sua vida e que mais te influenciaram?

    Jimmy: O primeiro cantor que eu gostei mesmo e me levou a me interessar mais pelo ragga e pela cena dancehall foi o Shabba Ranks. Naquela época, começo dos anos 90, alguns outros artistas conseguiram exposição por aqui, como Chaka Demus & Pliers, Shinehead, Pato Banton, Yellow Man, Apache Indian, Ini Kamoze e Shaggy, mas depois a cena ragga-dancehall foi extinta por aqui, nada chegava até nós, e eu tive que correr atrás de informação sobre o estilo. Foi aí que conheci Barrington Levy, Buju Banton, Bounty Killer, Beenie Man, Jr Reid, Sean Paul e por aí vai... E foi através desses artistas que eu também conheci os riddims clássicos do Reggae Roots, o que me fez ir conhecer o Reggae Roots dos anos 70. Outra grande influência veio de artistas que faziam o hiphop-reggae, como Das Efx, Fu-Schinckens, Poor Righetous Teachers, Busta Rhymes, NTM, KRS-One, Mad Lion, Yankee B, Red Foxx...

    ReggaeMovimento: Algumas pessoas ainda não entendem direito essa idéia de "coletivos", o que é a Família 7 Velas?

    Jimmy: A Família 7 Velas é um coletivo de cantores de Reggae - dancehall e new roots. Em 2002 eu tive a idéia de juntar 6 amigos meus (Arcanjo, Xandão, Sambatuh, Jr Dread, Buia, Fex) que também faziam ragga aqui em São Paulo e formar uma banda, pra gente poder se organizar melhor e o ragga voltar a ter força, já que na época o ragga ainda era visto como um estilo meio comédia, por causa de alguns grupos de ragga que na real estavam mais pro axé do que pro ragga-dancehall. Foi a partir da gente que o ragga começou a ter respeito dentro da cena rap, e também a mostrar uma outra face do reggae nacional, mais evoluído, com novas levadas e letras abordando temas diversos e polêmicos sobre RastafarI, assuntos sociais e do nosso cotidiano. Hoje somos em 9 cantores com a chegada do Jota e da Ivy.

    ReggaeMovimento: Jimmy Luv tem tipos diferentes de apresentação, com grupos diferentes. Nos conte quais são eles.

    Jimmy: Tenho meu show solo com a banda QG Imperial quando é esquema de show mesmo, mas me apresento mais em festas/clubes cantando apenas sobre riddims. Também faço parte da crew Echo Sound System ao vivo, junto com outros cantores da 7 Velas: Arcanjo, Jr Dread e Buia... E têm o grupo 7.Velas.Crew, acabamos de lançar nosso cd "Crew Du Fya", que eu considero como um dos melhores trabalhos que eu já fiz, e em breve estaremos fazendo apresentações por aí...

    ReggaeMovimento: Como tem sido a resposta do público aos shows do Jimmy Luv e QG Imperial? O repertório conta só com músicas próprias, ou rola algum cover de artistas que admira?

    Jimmy: Se for um público que gosta e entende a cultura reggae o show rola numa vibe bem legal, porque o meu show tem a mesma intenção dos cantores que são os tops do reggae mundial atual que se apresentam com banda. Então o cara se identifica, porque já conhece esse tipo de Reggae e sabe como é um show de reggae music desse tipo. Canto reggae na pegada 2006! O QG é sem dúvida a melhor banda de apoio do Brasil, tocamos vários ridims clássico, isso já é quase uma forma de cover dentro do reggae né... Tem dancehall, new roots, hiphop... Também fazemos um cover do Peter Tosh porque aqui as bandas e o público do reggae nacional só sabem de Bob Marley e acabam esquecendo que Reggae é cultura. Roots (Raíz) quer dizer Cultura.

    ReggaeMovimento: Quais as principais dificuldades que o artista de reggae independente tem passado ultimamente no Brasil?

    Jimmy: Várias são as dificuldades, mas nada pode ser maior do que a nossa persistência, senão você está ferrado... Pro reggae em geral já está fraco o cenário, imagina pra mim que faço um tipo de "reggae underground"! Porque aqui no Brasil as gravadoras são todas o maior caô, das multinacionais às independentes. Por causa dessa patifaria é que a gente lança nossos cds pela 7 Velas mesmo, gravando aqui na minha casa e fazendo o cd ali na Galeria...

    Se algum camarada puder dar uma força e fazer um vídeo, legal. Igual o video que fizemos da Família 7 Velas "Megamix 7 Velas", que estreou agora na MTV, uma emissora que assim como as gravadoras não liga pros sons que vêm de uma Cultura de preto. A gente se divulga bastante pela internet.

    ReggaeMovimento: O que acha dessa moda do Reggae Rasta que dominou um grande número de jovens que agora vêm falando no nome de Jah e dredando os cabelos por pura imagem?

    Jimmy: Vejo por 2 lados, o bom e o ruim. O bom é que pelo menos de alguma forma eles procuram viver de um modo positivo, longe da bad vibe da Babilônia. O ruim é que falta uma base. Muitos confundem Rasta com Hippie, acham que tudo é a mesma coisa, tudo paz, amor e cachoeira. RastafarI é uma cultura de preto, é muita sabedoria e respeito. Aqui no Brasil existe muita desinformação e muitos mitos sobre a filosofia Rasta, por causa da nossa cultura brasileira, da nossa língua ser o português e de estarmos longe geograficamente de onde se originou essa Cultura.

    A Cultura chegou aqui mas até hoje não tem uma base, "foundation" como a gente chama, e acabam misturando Selassie, com Jesus, com Orixás... RastafarI é uma coisa muito séria pra ser uma moda.

    ReggaeMovimento: E o que acha dessas facilidades da tecnologia? Hoje em dia qualquer um grava sons com bases prontas do Reason e cria um perfil na internet se auto-denominando um artista de Dub. Legal lembrar do que dizia Chico Science: "computadores fazem arte, artistas fazem dinheiro".

    Jimmy: Acho que cada um pode fazer o que quiser, usar o software que quiser, não existe mais aquela ditadura de antes quando nem existia estúdio-caseiro (home-studio). Hoje em dia eu posso gravar minhas músicas e fazer meus cds aqui na minha casa usando um PC, microfone e criatividade. O que conta mesmo é a verdade no som do cara. Música é arte. A gente percebe quando a música é de qualidade.

    ReggaeMovimento: Muitos artistas vêm encontrando dificuldade por estarem no "caminho do meio" fazendo reggae que não é pop, mas também que não é de total louvor a Jah. Vê isso como um problema das panelas que se formam nas diversas regiões do país?

    Jimmy: A verdade é que hoje em dia se você não conhecer ninguém que está fazendo algo na cena, sozinho vai ser bem difícil você ser notado e também passar a fazer parte dessa cena. É igual arrumar emprego bom: se você não conhece ninguém pra te dar aquela força, você não arruma nada. Nossa "panela" é a Família 7 Velas. Você pode fazer um reggae igual o Ponto de Equilíbrio, Armandinho, Natiruts, Edu Ribeiro, porque eles estão no topo, e achar que esse é o caminho.

    Mas cada um deles tem sua própria identidade e faz o que gosta. Assim como eu tenho a minha e faço o que eu gosto. Todos somos Reggae Music. Isso pra mim é o que importa. One Love!

    ReggaeMovimento: Deixe uma mensagem pros navegantes do reggaemovimento, e pro pessoal que está começando a trilhar seu caminho agora dentro dessa cena.

    Jimmy: Agradeço pela oportunidade de poder mostrar qual é o meu trabalho. A mensagem que eu posso deixar pra quem está começando é muita persistência, ensaio, pesquisa musical. Escutem o Reggae como uma Cultura, desde o começo até o Reggae de hoje, senão o Reggae daqui não vai ser Cultura, apenas um estilo musical qualquer. Selah!

    Contatos, informações, agenda e muito som. Acesse o Site oficial da Família 7 velas e dê um mergulho pela cultura reggae produzida no Brasil de 2006

Formulário de Newsletter

Cadastre-se e receba novidades do RM no seu e-mail.

2008 - ReggaeMovimento.com - Brasil - info@reggaemovimento.com