• Entrevista com Johnny B. Good

    Postado em 31/10/07 por Dacal

    Desta vez o Identidade Reggae do ReggaeMovimento trouxe Johnny B. Good, proprietário de uma das mais completas lojas de reggae do Brasil e com vasta experiência no mercado fonográfico, trouxe um pouco de suas experiências em mais de 20 anos acompanhando a movimentação da música reggae pelo globo. Aproveitem bastante o conteúdo! Um salve ao Johnny e positivas vibrações!

    Johnny B. Good

    ReggaeMovimento: Johnny , como o reggae entrou na sua vida? Conte um pouco da sua experiência e também como surgiu em você a motivação de trabalhar com reggae e montar a Johnny B Good?.

    J.B.Good: Trabalhei durante 15 anos em várias gravadoras como Polygram (hoje Universal), Warner, RCA (hoje BMG), sempre na área internacional. Assim conheci todos os estilos musicais, inclusive o reggae. Mas a música reggae me bateu mesmo quando assisti e estive com Peter Tosh no show dele em São Paulo em um festival no Anhembi, o Jazz Montreux , isso em 1980. Lá o conheci pessoalmente e ainda assisti a um “Big show” que me despertou totalmente para o reggae. Mas também era muito fã do blues, gênero que até hoje curto muito. Quando montei a loja era Reggae e Blues, pois já dizia Marley “talking blues” , mas hoje o reggae já dominou quase toda a loja.

    ReggaeMovimento: Quando começou a trabalhar com reggae como era a cena no Brasil? Quais as diferenças para hoje em dia?

    J.B.Good: Há 21 anos atrás no Brasil, a cena era dominada por artistas internacionais de reggae. As vendas eram 90% só de reggae internacional. Hoje isso mudou muito, o reggae brazuca cresceu demais, e praticamente 80% de nossas vendas são de reggae nacional.

    ReggaeMovimento: Quais nomes dentro da reggae music mundial que mais lhe influenciaram nesta jornada de vida ouvindo reggae?

    J.B.Good: Lógico que em primeiro lugar Bob Marley, (acho que todos começam com Bob), Peter Tosh, Gladiators, Max Romeu, Burnning Spears, Israel Vibration, Gregory Isaacs, Don Carlos, Black Uhuru, e etc...Quase todos já visitaram a loja. Juliam Marley também veio aqui nos fazer uma visita!

    ReggaeMovimento: Como vê a cena reggae no Brasil hoje, e quais suas perspectivas futuras?

    J.B.Good: Está muito bom o cenário do Reggae Brasileiro, mesmo que a mídia em geral ainda não dê nenhum apoio, temos hoje uma cena rica, com muitas bandas e também muitos trabalhos em todas as vertentes, como o roots, ragga, dub, light surf, etc...

    ReggaeMovimento: Fale um pouco de sua experiência como produtor artístico e musical, enfatizando o que pensa da produção reggae independente atual.

    J.B.Good: É o que falei. O fato da mídia não apoiar na divulgação dos trabalhos, faz com que dificilmente as gravadoras descubram um artista, por isso fizemos aqui uma espécie de cooperativa com as bandas, para assim poderem entrar no mercado. Desta forma muitas começaram conosco, como: Tribo de Jah, Natiruts, Planta e Raiz, Ponto de Equilíbrio, Leões de Israel, Família 7 Velas, Araways, Jahiras, Mato Seco, Nego Banto, Mistical Roots, mais uma infinidade de bandas de todo o Brasil, e agora até do exterior estão nos mandando demos e cd´s independentes para trabalharmos.

    ReggaeMovimento: Como foi sua experiência recente na Jamaica acompanhando a banda que produz (Leões de Israel) e como está a cena na por lá agora?

    J.B.Good: Foi uma experiência e tanto, o Leões de Israel foi produzido com muito carinho, pois como independente, fizemos um cd como se diria na gíria, “De gente grande”. Com muito sacrifício de todos.

    A aceitação no mercado foi ótima, faltava o grande “teste Jamaica”, a terra do reggae. A expectativa por lá também estava criada, pois Tony Rebel, responsável pelo Festival Rebel Salute, já tinha distribuído os cd´s para as principais rádios Jamaicanas e o DVD do Gregory Isaacs com Leões no Brasil, já estava sendo exibido nas principais Tv´s de lá. Só de vídeos com a MTV, são 4 ! Faltava o show ao vivo, que graças a Jah foi fantástico! O público cantou quase todas as canções em inglês, a galera adorou, as bandeiras não paravam de agitar...missão cumprida! Após o show, todos os artistas, rádios e Tv´s vieram cumprimentar e entrevistar, jamais imaginavam uma banda brasileira com uma pegada tão forte

    ReggaeMovimento: Na loja você tem convivência com pessoas de todo o Brasil e também o mundo,como vê a cena da reggae music mundial hoje?

    J.B.Good: Hoje na Jamaica e U.S.A o que predomina é o ragga, Na França e Brasil, ainda é o roots. Na Jamaica o roots e artistas do roots são muito respeitados, mas não é a moda. A onda lá é Sizzla, Capleton, Damian Marley, Ritchie Spice...Mas no Brasil, vejo que está começando a se abrir espaço para todas as vertentes.

    ReggaeMovimento: Na sua opinião, o que falta pras bandas reggae chegarem ao nivel de Cidade Negra? Aliás, você considera Cidade Negra, nosso maior nome do reggae (queiram ou não), um modelo a ser seguido?

    J.B.Good: Lógico que considero o Cidade. Acho que a única banda que conquistou a mídia e ajudou o reggae a se tornar popular hoje. Do regueiro ao povão, todos conhecem o Cidade. Tomara que continuem crescendo ainda mais, isso só ajuda o movimento. Para as outras bandas ainda falta espaço na mídia.

    ReggaeMovimento:Com todo respeito ao ícone maior do Reggae, até quando você acha que as bandas vão se basear só na obra de Bob Marley para apresentar um trabalho?

    Pergunto isso porque a sensação que dá é que há uma homogeneização muito grande da música reggae no Brasil, independente da região proveniente do trabalho, devido ao fato dos músicos se prenderem demais ao repertório de Bob Marley. Comente isso.

    J.B.Good: Olha, é difícil esquecer Bob, como é difícil esquecer Pelé. Uma coisa que notei na Jamaica em relação ao Brasil, é que lá é a terra do reggae, o Brasil é a terra do futebol. O rei deles é Bob Marley, nosso rei é o Pelé. As noites de domingo aqui, é só futebol, lá na tv, é só reggae! Agora o reggae está mudando muito, como tudo tem que evoluir, vide os filhos do Bob, como Julian, Damian, Ziggy Marley. Mas da mesma maneira que o futebol evolui primeiro aqui, o reggae evolui primeiro lá.

    ReggaeMovimento: Qual conselho daria para as bandas usarem no que diz respeito a estratégia de divulgação, distribuição e produção de seus cd´s?

    J.B.Good: Batalhar e ensaiar muito. Estive com o Cicco Pattersom, percussionista dos Wailers e amigo pessoal do Bob, e ele disse que ensaiavam manhã, tarde e noite. Só assim conseguiram de uma pequena ilha, expandir o reggae para o mundo.

    Digo o mesmo. Não adianta reclamar do sistema, pois é esse aí que temos que enfrentar, com muito ensaio e produções dentro da medida cada vez melhores, só assim conquistaremos nosso espaço.

    ReggaeMovimento: O que falta do Movimento Reggae na sua opinião?

    J.B.Good: Como todo movimento, a união é a maior força. Só nos unindo as bandas, lojas, sites, rádios comunitárias e etc...É que vamos mostrar nossa força.

    ReggaeMovimento: Um recado para os navegantes do ReggaeMovimento.

    J.B.Good: Fiquem na paz de nosso senhor Jesus Cristo e Jah Rastafari.

    Não basta acreditar em um sonho, temos que batalhar para torná-lo realidade.

    Que Deus abençoe a todos.

    Paz! JBgood

    *Para quem quiser visitar a Loja Johnny B. Good em Sampa aí vão as coordenadas :::

    JOHNNY B. GOOD
    RUA 24 DE MAIO N116 SOBRELOJAS 14 E 19
    TELS 3223 34 92
    WWW.JOHNNYBGOOD.COM.BR

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